CINENUTED apresenta
NOITE AMERICANA, de François Truffaut
Direção: François Truffaut
Roteiro: François Truffaut, Jean-Louis Richard, Suzanne Schiffman
Produção: Marcel Berbert
Música Original: Georges Delerue
Fotografia: Pierre-William Glenn
Edição: Martine Barraqué, Yann Dedet
Design de Produção: Damien Lanfranchi
Direção de Arte: Damien Lanfranchi
Figurino: Monique Dury
País: França, Itália
Gênero: Drama, Comédia
Ano: 1974
A exibição do filme Noite Americana na primeira sessão do Cinenuted deve-se ao fato de ser um filme considerado metalingüístico, ou seja, através do cinema, faz uma reflexão do próprio processo de produção de um filme. É claro, que à primeira vista podermos perceber um pouco de romantismo no filme, onde ao final o espectador acaba sendo seduzido pelo suposto glamour do cinema, saindo da sessão mais apaixonado pelo cinema do que era ao entrar.
Truffaut interpreta o diretor do filme dentro do próprio filme. Usando de uma fina comédia, mostra ao espectador um panorama do que significa cada etapa e função individual dentro do processo cinematográfico. Os imprevistos que precisam ser contornados com total criatividade, jogo-de-cintura e improvisação. A relação da produção com o tempo do mercado, quando os prazos são determinados e, às vezes, curtos para a realização. Desta maneira, Truffaut glorifica a própria profissão, mostrando com heroísmo a capacidade de um cineasta em realizar um filme, mesmo com tantos contra-tempos. O romantismo dito anteriormente é sentido neste momento, somos contagiados deste heroísmo, amor do cineasta pelo cinema.
A Noite Americana mostra, além destes aspectos, que o cinema é um processo coletivo, uma arte que é construída em grupo e precisa ter a cooperação de todos para que tudo saia conforme planejado. No próprio filme, demonstra que as pessoas são instáveis, possuem problemas pessoais, vícios, vaidades, ambições e interesses conflitantes. Além do acaso e azar, quando um ator morre durante as filmagens, ou uma atriz entra em crise nervosa, crises de ciúmes e traição são exemplos de elementos que ameaçam a continuidade do filme. Cabendo ao diretor, através de toda criatividade e paixão, conseguir superar estas complicações.
Porém, analisando mais profundamente podemos perceber que além de todos estes aspectos, o filme desconstroí a realidade do cinema. Mostra inúmeras técnicas de ilusionismo que o cinema utiliza, ou seja, mostra que o cinema, em alguns casos, é uma verdadeira arte da enganação. Chuvas e tempestades são fabricadas, cenários construídos a partir de cada necessidade do roteiro, desastres de carros, a utilização do efeito da noite americana – efeito de cena noturna realizada à luz do dia e escurecida através de filtros aplicados à lente da câmera – para resolver a morte do ator, entre outros artifícios utilizados que encantam os olhos dos espectadores.
Truffaut cria momentos mágicos no filme e podemos cita duas cenas: em homenagem a Orson Welles, menino no sonho de Ferrand – o diretor interpretado – rouba de um cinema cartazes do filme “O cidadão Kane” do Welles; e quando o diretor ajeita a mão em close de Jacqueline Bisset, uma tentativa de mostrar a união entre o cinema e a própria vida. O filme emociona, faz ri e provoca, no final, um momento de saudade quando os artistas se despedem e as filmagens são encerradas.
SINOPSE
Em Nice, o diretor e roteirista, Ferrand, reúne uma equipe para as filmagens de um longa-metragem chamado "Apresentando Pamela". Enquanto o filme é rodado, a boa marcha dos trabalhos é prejudicada pelas inquietações sentimentais e existenciais dos atores e do resto da equipe:Alphonse mostra-se inseguro. Apaixonado por sua noiva, Liliane, quando esta sai com um dublê, ele quer abandonar as filmagens. Esta, por sua vez, parece se 'apaixonar' por todos os homens que aparecem no set. Julie, a linda e estável estrela, recobra-se de uma depressão, graças ao novo marido, o Dr. Nelson. Alexandre, um ator mais velho e verdadeiro profissional no set, corre para o aeroporto na expectativa de que um certo jovem chegue em visita, insinuando que seja homossexual. Séverine, uma atriz decadente e alcoólatra, precisa que suas falas sejam espalhadas em cartolinas pelo set, porque não consegue decorá-las. Há todo um grupo de coadjuvantes, cada um com suas manias e histórias particulares, como o assistente de diretor, a maquiadora, o fotógrafo, o editor, o produtor, enfim, todas as pessoas necessárias para se conseguir fazer um filme. E no centro de tudo está Ferrand, que precisa tomar decisões a cada instante, responder a uma grande quantidade de perguntas e entregar o filme dentro do prazo.
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