
RIO - Foram centenas de filmes exibidos para milhares de espectadores, mas a principal contribuição da Mostra Geração ao cinema brasileiro é o fator humano. São várias as histórias de pessoas que dão seus primeiros passos no segmento infanto-juvenil do Festival do Rio e, depois, tornam-se realidade no mercado audiovisual. Em um ano de festa, com filmes nacionais abocanhando bilheterias recordes, a mostra comemora dez anos junto com o festival - que começa semana que vem - e, mais uma vez, vai aproximar crianças e jovens da sétima arte.
- É sensacional ver alguém que participou da mostra com 15 anos se transformar num diretor ou num ator profissional. O intuito sempre foi aproximar o jovem do cinema - orgulha-se Felicia Krumholz, curadora da mostra, dividida entre um cardápio de longa-metragens infanto-juvenis e o programa Video Forum, que exibe curtas de jovens de até 18 anos.
As histórias se acumulam com os anos. Ainda adolescente, Felipe Bragança trabalhou como voluntário da mostra e teve um filme exibido no programa Vídeo Forum. Hoje aos 29 anos, ele está rodando seu segundo longa-metragem (o primeiro foi o premiado "A fuga da mulher gorila"). Já o ator Bernardo Marinho foi voluntário em 1999, quando a mostra ainda se chamava Janela Mágica. Ele participou outras duas vezes, apresentando filmes e mediando debates.
- Eu trabalhava de manhã na Mostra Geração e ficava de tarde e até altas horas da noite vendo os filmes do festival. Tinha até que maneirar para não pirar com o excesso de informação - conta o ator de 21 anos, protagonista do longa "O passageiro", ex-VJ da MTV e uma das estrelas da minissérie "Aline", que estreia em outubro, na Rede Globo.
Cineasta do grupo Nós do Morro, Gustavo Melo viu seu primeiro curta, "Jeito Brasileiro de ser português", exibido no Vídeo Forum, em 2000. Depois disso, tornou-se um curta-metragista premiado e dirigiu o clipe da música "Monstro Invisível", d'O Rappa. O estudante de cinema Gabriel Bortolini, 21 anos, também considera o trabalho como voluntário da Mostra Geração o ponto de partida de sua carreira.
Os dez anos da mostra coincidiram com uma verdadeira revolução digital no universo audiovisual. No começo, os filmes do Vídeo Forum eram quase todos feitos por ONGs que tinha algum tipo de suporte financeiro para obter o equipamento necessário. Mas as mídias se democratizaram e, hoje, alunos de qualquer escola podem produzir filmes super-interessantes.
Este ano, são 52 filmes de colégios brasileiros e estrangeiros, quase todos discutindo temas pertinentes para essa faixa etária. Wallison Luis e Souza, da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, na Fiocruz, dirigiu "Emoday", documentário que investiga o preconceito contra a tribo dos emos. E um grupo de alunos do Colégio Pedro II de Realengo assina "Juventude e participação", que compara a geração de 2008 com a de 1968.
Nenhum comentário:
Postar um comentário