Ensaio Audiovisual

Encurralado entre a vontade da discussão, do mergulho teórico, e a sedução (e toda a importância) da técnica, esse curso se resolve na tensão necessária entre todos os seus participantes. O mais provável (e previsível) é que, num primeiro momento, ao gosto evidente dos educadores pela teoria venha se opor a vontade dos educandos por trabalhar diretamente as técnicas e tecnologias da imagem, que o curso pretende investigar. A crescente facilidade com que as gerações mais novas lidam com as tecnologias de imagem e som (câmeras e gravadores digitais, programas de edição não linear, de manipulação de imagens, etc) os potencializam a serem também produtores e distribuidores, não mais apenas consumidores dessa informação. Faz-se aí mais do que necessário somar a esse domínio (convívio?) precoce da técnica uma reflexão crítica que os façam capazes de questionar e desconstruir o emaranhado de informações no qual nos encontramos, produzindo, por si só, a imagem crítica, a contra-informação. Esse processo torna-se bem sucedido, portanto, a medida em que consigamos eliminar, ou ao menos minimizar, essa enganosa oposição entre teoria e prática, construindo, com técnica e reflexão, um discurso audiovisual provocador, que venha carregado de acúmulo teórico e crítico.
Esse blog pretende ser uma ferramenta importante nesse diálogo entre os participantes, e entre e teoria e técnicas. Todos os envolvidos estão convidados a enriquecê-lo com imagens, vídeos, idéias e comentários tendo por eixo as discussões levantadas a partir da sala de aula.


ONLINE

06/07/2010

Woody Allen

“A vida é dividida em duas categorias: horrível e miserável. Horrível seriam casos terminais, gente cega, inválidos. Não sei como eles vivem, acho incrível. E miserável é todo o resto. Então quando passar pela vida, agradeça por ser miserável.”

A frase acima pertence ao filme ’Annie Hall’ (‘Noivo Neurótico, Noiva Nervosa’, na inexplicável versão nacional) e foi com sacadas como essa que Woody Allen me tornou seu fã. O humor sarcástico, pessimista e neurótico combinado com seus longos e maravilhosos diálogos transformaram Allen em um dos diretores mais admirados da história do cinema e, pessoalmente, um dos meus preferidos.

Quem diabos é Woody Allen?

Olha aqui, ó: http://pt.wikipedia.org/wiki/Woody_Allen

Agora, por que eu gosto dele?

Eu me fiz essa pergunta pra escrever esse texto e separei três idéias que me vieram a mente.

Em primeiro lugar, não quero tirar o mérito dele como diretor, mas para mim, o trunfo de seus filmes é o roteiro, os diálogos. Para alguém que só vê filmes de ação, com perseguições, explosões e tiros é como se nada acontecesse em um filme do Woody Allen. As pessoas só andam pelas ruas, vão a restaurantes, festas, jantares em família, livrarias, praças e... conversam. É preciso mais do que isso para fazer um bom filme?

Em segundo lugar, eu preciso dizer que Woody Allen tem um ótimo gosto pra mulheres. Todas as protagonistas de seus filmes não são apenas ótimas atrizes como são, sobretudo, belíssimas: só pra constar, Allen escolheu Scarlett Johansson para estrelar vários de seus filmes mais recentes como ‘Vicky Cristina Barcelona’ e ‘Scoop’ assim como nas décadas anteriores trabalhou com atrizes como Diane Keaton, Mia Farrow e Meryl Streep.

E em terceiro, e esse é um aspecto mais pessoal, eu diria que me identifico muito com os personagens e situações que Allen mostra em seus filmes. É fantástica a sensação de ver um filme e pensar “É exatamente isso!” depois de uma cena que expressa um convicção pessoal, um pensamento ou sensação que eu sempre tive, mas nunca consegui expressar em palavras. Woody Allen conseguiu fazer isso por mim.

Eu não vi todos os filmes do Woody Allen, afinal, ele tem uma vasta filmografia; mas pra quem se interessar eu indico fortemente os filmes ‘Annie Hall’, ‘Manhattan’, ‘A Última Noite de Bóris Grushenko’, ‘A Rosa Púrpura do Cairo’, ‘Crimes e Pecados’ e o ainda inédito no Brasil, ‘Whatever Works’.

A maior parte desses filmes se passa em Nova York, sua cidade natal, mas recentemente ele tem rodado o mundo fazendo filmes em cidades como Londres (‘Match Point’ e ‘Scoop’) e Barcelona (‘Vicky Cristina Barcelona’), patrocinado pelas prefeituras locais. Inclusive, existe a possibilidade de que faça um filme, aqui, no Rio de Janeiro. Não seria fantástico?

Fica a dica pro Cine Nuted.

Um comentário:

  1. Fala Léo.
    Tá anotada a dica. Aliás, o Woody Allen já estava agendado para uma das sessões do Cine Nuted, a dúvida é qual filme. Eu, particularmente, ficaria entre Annie Hall e Zelig.
    abs.

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